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A mostrar mensagens de Abril, 2008

JARDINS PARA O FIM DOS TEMPOS

A minha integral das Sinfonias de Beethoven

Então perguntarão: com tanto mal a passar-se no mundo, o homem só fala de música?
É precisamente porque me aguento com dois pés na música que o mundo é respirável.
Na resposta ao post anterior, sobre o inenarrável Senhor K., um amigo perguntou-me: “Tanta verve contra o homem, e diz-me lá se és capaz de propor uma integral de Beethoven sem contar com o homem.”
Aqui fica o desafio. Em fascículos, sublinhados que é um amador, inveterado mas amador, apoiado (ou ensurdecido?) por dias de escuta, que fala.

SINFONIA Nº 1
Não foi aqui que aprendi Beethoven, onde teoricamente ele começou. Foi pelos Concertos, sobretudo o de Violino, por Menuhin e Furtwängler, e pelos de Piano.
Começa por formar-se (como) um nevoeiro, soprado por metais. Qualquer coisa que parece ainda suave e melódica, capaz de oscilar entre a rapidez e imprevisto de Haydn na melodia envolvente, calorosa, que corta as sombras, e alguma coisa de sombra que parece não querer dissipar-se, por…

O SENHOR K.

Assim se referia Wilhelm Furtwängler a Herbert von Karajan – maestro de que se comemora o centenário.
Devo começar por dizer que esta será uma nota pessoal, profundamente pessoal. Eu não gosto, não suporto, não aguento, não considero, não integro, não sou capaz de, não engulo, não digiro, não tolero, não quero nada interpretado pelo senhor K.
Não é que não encontre, nas versões que me foram recomendadas e que conscienciosamente ouvi, um som potente em Wagner, ou o acompanhamento miraculoso de Dinu Lipatti no Concerto 21 de Mozart; mas isso seria negar ao homem que fosse músico, sequer. Tocar com o mais genial pianista do século XX e não saber ouvi-lo seria dizer de uma vez por todas que o homem era um tocador de pratos da Banda Filarmónica de Azeites de Cima. Mas não ouvi, nunca, uma visão renovadora de uma obra. Não há o entusiasmo rítmico e corálico de uma interpretação de Toscanini; o profundo sofrimento de uma leitura de Furtwängler; o granitismo em movimento de Klemperer; as várias…

BOSTON LEGAL

Não há dúvida que as séries vieram revolucionar a relação com a televisão. Mas sobretudo a nossa relação com o enredo e a narrativa. Num grande filme, em tempo e situação limitada, o jogo de história, conflito de personagem, sentido, lutava-se caro e em génio. Muitas excelentes ideias ficavam no limite pela rapidez e limitação dos meios. Hoje, com a duração que uma série pode ter, personagens, conflitos e narrativas podem demorar-se, criando estados e situações complexas que um filme não ousava conter, ou tinha a possibilidade de sugerir. Esse trabalho revela sobretudo prodigiosos enredos (o caso das boas temporadas de “24”), sugestões apocalípticas e de uma invisível mas permanente luta entre bem e mal (“Carnivale”), retrato de tipos (a primeira temporada de “Donas de Casa Desesperadas”).
“Boston Legal” é um dos casos onde o formato série traz resultados longos e inesperados. Um primeiro contacto com a série parecerá que se trata de um espectáculo superficial, até plástico, com estrel…