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OS EXCLUÍDOS E O SOLDADO

A tríade que agora se defronta nas eleições americanas representa os três estados do país. McCain é o herói do Vietname, da geração que perdeu uma guerra e muitos sonhos, pragmático nas recusas; uma geração que viveu todos os excessos e todos os contrários (tão interessante como a que sobreviveu à 1ª Guerra, a de Churchill: para ambos tudo estava por fazer, e tudo já se tinha perdido).
Hillary: a quota feminina, embora por um outro lado: pela mulher que não encontra no seu estatuto de mulher a sua força, mas que quer essa autonomia do feminino pela imitação do masculino. Mas não há dúvida que gerações de mulheres-casa, e de mulheres vencedoras nas suas carreiras se encontram nela. Há, sim, nela, um passado fascinante e pouco conhecido, que as biografias recentes mostraram: há 30 anos, esta advogada recém-formada estava no Texas, estado que agora ganhou, literalmente a perseguir os imigrantes mexicanos recém-legais e ilegais para lhes dar plena cidadania e os levar a votar. Nenhum Presidente como Clinton mais procurou apoiar as minorias e mudar os parâmetros da sua vida. Há, assim, um lado de inclusão dos excluídos que Hillary Clinton defende, e que não é conversa, mas unidade na sua vida.
Obama é um outro caso. É um candidato negro que não é um candidato afro-americano, pelas suas raízes quenianas de uma única geração nos EUA. Mas representa um traço de união entre várias exclusões (os novos americanos, os americanos recentes), o convívio com o Islão, os deserdados da política e da construção de um sonho colectivo. Obama já ganhou estas eleições pela energia de sonho e consciência que trouxe para milhares de americanos alheados da vida interna do país.
É interessante igualmente pensar que neste jogo de símbolos e resumos tão completos, os eleitores rejeitaram produtos híbridos que noutras ocasiões seriam ganhadores: Giuliani-o-republicano-quase-democrata-Nome-Verbo-11deSetembro, Romney-sou-mórmon-mas-olhem!-não-se-nota.
O que se joga é entre três símbolos da América: não já estratos económico-sociais diferentes, não já Norte vs. Sul vs. Midwest, não já Pró-Choice vs. Anti-Choice. Graças a Deus, nem o intelligent design esteve em discussão, apesar dos esforços do torquemada Huckabee. Mas entre três símbolos, resumidos e alicerçados na biografia de cada um dos candidatos, de três Américas diferentes na sua natureza e na sua concretização. E é entre essas três imagens de si, todas verdadeiras, que os americanos terão de escolher.

Comentários

Anónimo disse…
boa tarde. gostava de lhe "oferecer" esta música:

http://moriae.imeem.com/music/zH5BFsac/lisa_gerrard_sailing_to_byzantium/

espero que goste. cumprimentos.

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