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a inquietação ferida e move

não duvido que vamos a caminho de uma luz maior. «mehr licht», disse Goethe nas suas últimas palavras.
não tem a ver com uma convicção religiosa, mas apenas com a certeza de que este jogo de luzes e sombras sucessivas, de felicidade rasgada por caminhos da mais áspera tristeza, por momentos que se transcendem a si próprios cravados por impossíveis e limites, não pode ser tudo. o progresso resolveu tudo, menos a inquietude, a noção de limite que atira insatisfação para todos os pontos o homem.
em nenhum tempo se tentou tanto apagar a insatisfação como hoje. fugas e máquinas, em exércitos imparáveis de funções e resultados, trabalham para esquecer esse peso. porque é de um peso, infinito e de ilimites, que se trata. dessa ferida sobre o cosmos, luminosa e permanente, se gerou toda a arte e toda a descida aos labirintos interiores do humano.
esperar mais luz é consequência de ser humano. esperar que surja aqui, nos corredores curtos da memória e do sangue, é demasiado.
mas muitas vezes uma espécie de certeza, «mehr licht», uma insatisfação produtiva, parece levar mais longe a própria limitação dos actos e dos dias.

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